sábado, 19 de novembro de 2011

Autor de As crônicas de Nárnia discorre sobre uma nova maneira de entender a literatura

O escritor irlandês Clive Staples Lewis, cujos 38 livros venderam mais de 200 milhões de cópias, defende, em Um experimento na crítica literária, novo título da Editora Unesp, a literatura como uma prática que
possibilita que tenhamos prazer e acesso a experiências que não são nossas. O autor da série As crônicas de Nárnia e de O Regresso do Peregrino mostra aqui que a recepção da obra deve ter um fim em si própria, sendo que a experiência literária aumenta o referencial do indivíduo sem ferir a individualidade.
C. S. Lewis, fundamentado em seu trabalho acadêmico sobre literatura medieval, defende que a literatura não pode ser avaliada pela falsa capacidade de revelar verdades sobre a vida ou como uma auxiliar da cultura. A atividade literária deve ser considerada uma ação de libertação para que o homem não seja apenas ele mesmo, tendo contato com experiências alheias, que podem ser tanto belas, cômicas e hilariantes, como estranhas, terríveis e assustadoras.

Um experimento na crítica literária trabalha com a idéia de que quanto mais especificamente literárias forem
as observações, menos contaminadas estariam por uma teoria de valor, fazendo com que a recepção da obra fique nela mesma. Porém, o leitor deve atribuir às palavras mais do que a atenção mínima necessária para extrair o acontecimento principal, preferindo livros que são realmente considerados bem escritos. Neles, descrições são profundas, diálogos conseguem produzir alguma ilusão e personagens são possíveis de serem imaginados. Sem que sua individualidade seja ferida, ao ler um bom livro, o indivíduo aumenta seu referencial, podendo ver o mundo, apesar da manutenção da autonomia de pensamento, de inúmeras maneiras. Ampliando a capacidade de cada um se relacionar com a realidade, torna-se possível
transcender, ocorrendo, assim, uma jornada para fora do eu.


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